sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Jamil Snege

Você conhece Jamil Snege? Eu sim. Baita escritor curitibano que morreu há alguns anos. Acho que li quase tudo do cara: “Como Eu Se Fiz Por Si Mesmo”, “Viver é Prejudicial à Saúde”, “Os Verões da Grande Leitoa Branca”, “O Jardim, a Tempestade” e “Como Tornar-se Invisível em Curitiba”. Este último foi uma das minhas mais recentes aquisições no Estante Virtual, site onde vendo e compro livros usados. Trata-se de um volume de crônicas fantasticamente bem escritas. O estilo é impecável: inteligência, ironia, perspicácia, humor, filosofia, tudo muito bem dosado. Entre outras qualidades mais importantes, sempre me impressionou a riqueza do vocabulário do velho Snege. Tive que recorrer ao dicionário pra entender palavras como: núbil – avoengos – rútilos – junquilho – missal – rocios – travo – opalescente – marrafa – fulvos – fúlgidos – embarafustar – reencetar – capitoso – repto – mouco – anátema – contrafação – vibrião – prédica – invectiva – deletério – clivagem – négligé – dessorado – lindeiro – sesmarias – hebdomadário – caviloso – efélides – arreglos – polissêmicos – lúrido – pródromo – desbragadamente – ojeriza – laivo – primícias... etc. Mas não pense em afetação. Trata-se de poesia, prosa poética. O Jamil se propunha - segundo uma das crônicas do livro - escrever um romance do porte de Cem Anos de Solidão se alguém se dispusesse a sustentá-lo durante o tempo necessário pra tocar a empreitada. Queria provar que os críticos estavam errados quando diziam que em Curitiba não havia romancistas. Não duvido de que ele conseguisse. O cara era muito bom. Felicidades pra ti onde quer que tu esteja seu velho hipocondríaco!

P.S. concordo com ele: viver é prejudicial à saúde.

Um comentário:

wilson disse...

E o mau humor agarradinho em cada byte da apresentação do novo blógue, heinhô, Telminho!!!

Votei na tua pesquisa. Abrazz.